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Brukinsa® (zanubrutinibe): o que os estudos mostram sobre essa terapia-alvo para doenças de células B

A evolução do tratamento das neoplasias hematológicas trouxe medicamentos capazes de interferir em vias específicas envolvidas na sobrevivência e multiplicação das células B. Entre eles está o zanubrutinibe, princípio ativo do Brukinsa®, um inibidor da tirosina quinase de Bruton (BTK).

A BTK participa da sinalização do receptor de células B e está envolvida em processos importantes para a sobrevivência e proliferação dessas células. Ao bloquear essa proteína, o zanubrutinibe interfere em uma via relevante para determinadas neoplasias hematológicas.

Mas quais doenças podem ser tratadas com o Brukinsa®? O medicamento possui registro no Brasil? E o que os estudos clínicos mostram sobre sua eficácia?

Por que essa proteína é importante nas doenças de células B?

As células B fazem parte do sistema imunológico e participam da produção de anticorpos. Em algumas neoplasias hematológicas, alterações nos mecanismos responsáveis pela sinalização dessas células contribuem para sua sobrevivência e expansão.

A BTK está no centro de uma dessas vias de sinalização. O zanubrutinibe se liga à proteína e bloqueia sua atividade, interferindo nos sinais que favorecem a sobrevivência e a proliferação das células B malignas.

Essa estratégia faz parte do desenvolvimento de terapias-alvo em hematologia, que buscam interferir em mecanismos específicos associados à doença.

Para quais doenças o Brukinsa® é indicado no Brasil?

O Brukinsa® possui registro sanitário na Anvisa. O primeiro registro brasileiro foi concedido em 2021 para adultos com linfoma de células do manto (LCM) que haviam recebido pelo menos uma terapia anterior.

Desde então, o registro passou por ampliações. Documento da Anvisa atualizado registra indicações para:

  • Linfoma de células do manto (LCM);
  • Macroglobulinemia de Waldenström (MW);
  • Linfoma de zona marginal (LZM);
  • Leucemia linfocítica crônica (LLC);
  • Linfoma linfocítico de células pequenas (LLCP).

Por isso, a pergunta “Brukinsa é indicado para qualquer câncer hematológico?” não tem uma resposta afirmativa. A indicação depende do diagnóstico, das características da doença, do histórico terapêutico e da aprovação correspondente.

O que diferencia o zanubrutinibe de outros inibidores desse medicamento?

O zanubrutinibe pertence à segunda geração de inibidores covalentes de BTK. Seu desenvolvimento buscou aumentar a seletividade pela BTK e reduzir a atividade sobre outras quinases.

Essa característica foi uma das bases para seu desenvolvimento clínico e para a comparação com outros medicamentos da mesma classe, especialmente o ibrutinibe.

No estudo ALPINE, que avaliou pacientes com leucemia linfocítica crônica ou linfoma linfocítico de células pequenas recidivado ou refratário, o zanubrutinibe apresentou resultados superiores ao ibrutinibe em sobrevida livre de progressão. Na análise final, após mediana de acompanhamento de 42,5 meses, o risco de progressão ou morte foi 32% menor com zanubrutinibe, com hazard ratio de 0,68. A taxa de resposta global também foi maior: 85,6% contra 75,4%.

O mesmo estudo observou menor incidência de fibrilação atrial ou flutter com zanubrutinibe em comparação ao ibrutinibe, embora eventos adversos continuem sendo uma questão que exige acompanhamento médico durante o tratamento.

E o que acontece quando o tratamento é iniciado antes?

O estudo SEQUOIA avaliou o zanubrutinibe em pacientes com LLC ou LLCP que ainda não haviam recebido tratamento.

Na comparação entre zanubrutinibe e bendamustina associada ao rituximabe, a sobrevida livre de progressão foi significativamente maior no grupo tratado com zanubrutinibe. Na análise inicial, o hazard ratio para progressão ou morte foi de 0,42, indicando uma redução relativa de 58% no risco do evento analisado.

O acompanhamento de cinco anos publicado posteriormente manteve essa diferença: a mediana de sobrevida livre de progressão não havia sido alcançada no grupo do zanubrutinibe, enquanto foi de 44,1 meses no grupo que recebeu bendamustina e rituximabe.

Esses resultados ajudam a explicar por que os inibidores de BTK passaram a ocupar um espaço importante no tratamento de determinadas neoplasias de células B.

O que esses resultados significam para o paciente?

Os resultados dos estudos não significam que o zanubrutinibe seja a melhor opção para todos os pacientes.

A escolha de um tratamento hematológico depende de fatores como subtipo da doença, características moleculares, tratamentos anteriores, idade, condições clínicas, possíveis interações medicamentosas e perfil de segurança.

Por isso, dados de estudos clínicos servem para orientar a prática médica, mas a decisão terapêutica precisa ser individualizada pelo especialista responsável.

Brukinsa® possui registro na Anvisa?

Sim. O Brukinsa® possui registro sanitário no Brasil e suas indicações foram ampliadas ao longo do tempo.

A própria Anvisa informa que o medicamento está registrado para diferentes neoplasias de células B e mantém informações sobre suas indicações regulatórias.

A situação é diferente, portanto, de medicamentos sem registro sanitário no país. Ainda assim, registro sanitário e disponibilidade comercial são questões distintas. Um medicamento pode estar registrado e, dependendo do momento e da circunstância, haver necessidade de avaliar sua disponibilidade, fornecimento ou aquisição por vias específicas.

É possível importar Brukinsa® para o Brasil?

O Brukinsa® possui registro sanitário no país, mas a aquisição internacional pode ser avaliada em determinadas situações, especialmente quando há necessidade de analisar disponibilidade, condições de fornecimento ou alternativas comerciais para pacientes e instituições.

A importação de um medicamento registrado no país depende da avaliação do caso e do cumprimento das exigências regulatórias aplicáveis.

Entre os pontos analisados estão a origem do produto, qualificação do fornecedor internacional, documentação sanitária, rastreabilidade e condições adequadas de transporte e armazenamento.

Quando uma assessoria especializada pode fazer diferença?

O acesso internacional a medicamentos de alta complexidade envolve uma cadeia de etapas que precisa ser conduzida com segurança e organização. Desde a identificação de fornecedores internacionais até a análise documental e logística, cada etapa contribui para a conformidade do processo. 

É necessário avaliar a qualificação do fornecedor internacional, a documentação do produto, sua procedência e rastreabilidade, além das condições de armazenamento e transporte.

A partir dessa análise, podem ser conduzidas as etapas regulatórias, documentais, aduaneiras e logísticas aplicáveis ao processo.

A Pharmare atua na assessoria especializada em importação de medicamentos especiais e oncológicos, oferecendo suporte desde a avaliação documental e dos fornecedores até o acompanhamento das etapas necessárias para o processo de acesso internacional, sempre de acordo com as exigências regulatórias aplicáveis.

Busca informações sobre alternativas de aquisição do Brukinsa® ou outros medicamentos hematológicos? A Pharmare auxilia na avaliação e condução dos processos de importação conforme as exigências aplicáveis.

Fontes

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Brukinsa® (zanubrutinibe): novo registro. Informações sobre o registro inicial, mecanismo de ação e indicação para linfoma de células do manto.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Projeto Orbis. Registro de inclusão de indicação do Brukinsa® aprovado em 2025.
  • Brazilian Group of Chronic Lymphocytic Leukemia / Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Diagnosis and treatment of chronic lymphocytic leukemia: 2025 recommendations. 
  • U.S. Food and Drug Administration (FDA). BRUKINSA® (zanubrutinib) Prescribing Information. Informações regulatórias e indicações aprovadas nos Estados Unidos.

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Greice Cardoso

Comercial

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setembro 18, 2026

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